Ballet Cristiana Packer

26/03/2012 Ana Botafogo

 

Este artigo reune informações coletas de diversas fontes, citadas no decorrer do artigo. 


Bailarina carioca. Ana estudou nas principais academias da Europa e inicio sua carreira profissional no Ballet de Marseille, na França.
Foi bailarina do Teatro Guairá (Curitiba-PR), da Associação de Ballet do Rio de Janeiro e, em 1981, conquistou o posto de primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ana teve participações especiais em vários festivais internacionais, inclusive, na Gala Iberoamericana de La Danza, dirigida por Alice Alonso, realizada em Madri (Espanha), em comemoração aos 500 anos do descobrimento das Américas. No seu repertório destacam-se produções completas de “Dom Quixote”, “O Quebra Nozes”, “Romeu e Julieta”, “La Fille Mal Gardée”, “O Lago dos Cisnes” e “Gisele”. Entre seus partiners internacionais estão nomes como Fernando Bujones, Julio Bocca, Alexander Goudonov, Lazaro Carreño. Como artista convidada já dançou no Saddler’s Well Royal Ballet de Londres, Ballet Nacional de Cuba e no Ballet dell’Ópera di Roma, entre outras cias de Dança. 

 

O Céu é o Limite 

Com uma vida inteira dedicada à dança, Ana Botafogo, a primeira-bailarina do Brasil, fala da rotina dos palcos e do que acredita ser o limite para quem ama viver desta arte. 

Por Lilian Burgardt, de Joinville (SC) 

De personalidade forte e de uma doçura incomparável, Ana Botafogo encanta dentro e fora do palco. Dona de uma razão que só a história de quem sempre batalhou muito para alcançar objetivos e encarar obstáculos pode garantir, ela é a prova viva da superação de limites e da eterna busca pela perfeição, especialmente porque conseguiu status de estrela numa carreira em que só com muita luta é possível brilhar. 

E a luta começou cedo. Ainda mocinha, Ana já sonhava com os palcos, com as luzes, os aplausos. Mas, com os pés no chão, não queria só 15 minutos de fama. Sendo assim, decidiu traçar seus objetivos de forma sólida, para não escorregar. "Um de meus maiores sonhos quando garota era ser a primeira bailarina do Municipal do Rio de Janeiro", conta. No entanto, ela revela: "não foi nada fácil conquistar este lugar." 

Anos de dedicação à rotina rígida do balé fizeram de Ana Botafogo uma dançarina de sucesso, sendo convidada para dançar e interpretar papéis importantes em companhias internacionais. "Depois de ter apresentado algumas peças no exterior é que finalmente consegui realizar o sonho antigo de pertencer à equipe do Municipal", lembra. 

Isto porque, batalhadora, a bailarina nunca ousou desistir. Começou a dançar na Companhia do Roland Petit, na França. Mas, querendo aperfeiçoar sua técnica e trabalhar em uma companhia de dança clássica, ela voltou ao Brasil. Aqui, Ana foi brilhar no ballet Guairá, até conseguir que o Municipal do Rio de Janeiro abrisse as portas para seu talento. Aos poucos, a bailarina brasileira foi consolidando sua carreira no Brasil e no exterior, onde voltou muitas vezes para divulgar seu país e seu trabalho. "Sempre viajei muito, por todos os cantos do mundo, e isso foi muito bom para mim profissionalmente. Mas o Brasil sempre foi o meu lar", declara. 

Embora nesta época não tenha dimensionado o quanto já representava o Brasil no exterior, Ana foi considerada símbolo do balé nacional, amada e idolatrada não só pelos colegas de carreira e futuros bailarinos, mas por todos os brasileiros que acreditavam que ela era capaz de mudar o estereótipo do Brasil no exterior, mostrando também o lado positivo de nossas terras tupiniquins. "Nunca tinha parado para pensar que popularizar o balé fosse minha missão como bailarina. E, tampouco, imaginava a dimensão que meu trabalho representava para as pessoas. Mas sou muito feliz e muito grata em saber que pelo meu amor à dança construí tudo isso", revela, emocionada. 

A emoção nas palavras da bailarina mostram o quanto o amor à profissão pode construir, modificar e transformar a vida das pessoas, mesmo que para atingir os mais altos objetivos seja necessário sofrer e sentir a dor de forma tão intensa como acontece com os profissionais da dança. São horas e horas de muito treino, sem falar na briga com o peso. Disso, Ana entende muito bem, afinal de contas, com 1,60 de altura, pesa apenas 44 quilos. "A vida de bailarina não é fácil. Além de tudo isso, muitas vezes a gente se machuca e cai. Algo que para o bailarino é muito complicado é, sem dúvida, conviver e aprender a superar a dor", diz. 

Para ela não foi diferente. Muitas vezes se machucou, caiu e escorregou no palco. "Escorregar é muito ruim, você fica sem chão, sem graça. Mas é importante lembrar que errar é humano e, de uma próxima vez, trabalhar para fazer um espetáculo ainda melhor." Por aí se vê o quanto a garra e o desejo de superação são fatores fundamentais para qualquer bailarino. Só a partir dessa auto-motivação e do desejo de fazer um trabalho cada vez melhor é possível alcançar momentos de glória. Momentos como o que Ana Botafogo viveu cada vez que subiu em palcos cujos pés jamais havia tocado e, mesmo assim, conquistou o público. "É muito difícil apresentar um espetáculo em um país que ninguém conhece seu trabalho. Nestes casos, receber aplausos ao término da apresentação em sinal de reconhecimento de seu trabalho é o que há de mais gratificante para o artista", diz. 

Trecho da Entrevista: Empregos.com 

Depois de 24 anos de carreira, mais de 20 deles como primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Ana Botafogo conta um pouco de sua trajetória - da decisão de ser bailarina até a realização do sonho de ser a número um. 

Empregos.com.br - Como o "ballet" entrou para a sua vida? 

Ana Botafogo - Comecei a estudar "ballet" aos 7 anos, no mesmo conservatório em que estudava música, no Rio de Janeiro. Aos 11 anos,ingressei na academia de dança da bailarina Leda Iuqui. Desde então, sempre sonhei em ser bailarina, porém achava muito difícil e distante de mim. Ainda assim, não pensava e nem queria parar de dançar. 

Empregos.com.br - Quando começou a dançar profissionalmente? 

Ana Botafogo - Estudei na academia da Leda até os 17 anos e parei quando decidi ir para a França, estudar francês e talvez, "ballet". Mas depois de dois meses e meio na França consegui meu primeiro contrato profissional. Passei a fazer parte do Ballet de Marseille, dirigido por Roland Petit. Esse foi um período bastante rico. Amadureci, porque estava em um lugar muito diferente da minha casa e a comunicação com o Brasil era difícil. Eu era extremamente tímida e por necessidade, me tornei mais segura e mais descontraída. Aprendi muito mais sobre dança. Era uma companhia pequena, mas de muito bons profissionais. Foi nessa época que tive certeza de que queria fazer aquilo para o resto da minha vida. Fiquei dois anos dançando na França e depois, mais seis meses na Inglaterra, em Londres. Mas como não consegui visto de trabalho para ficar na Inglaterra, achei que era hora de voltar para o Brasil. 

Empregos.com.br - Sua volta para o Brasil foi como você imaginava? 

Ana Botafogo - Cheguei aqui cheia de vontade e com o sonho de entrar para o Teatro Municipal. Mas a dança estava meio em baixa no Brasil e o Municipal do Rio de Janeiro, em reforma. Precisei segurar a ansiedade. Para minha sorte, surgiu o convite para trabalhar no corpo de "ballet" do Teatro Guaíra, em Curitiba, como primeira bailarina do Teatro. Foi uma época ótima. Minha primeira aparição profissional no Rio de Janeiro foi com o "ballet" do Teatro Guaíra, com o espetáculo "Gisele". 

Empregos.com.br - Em 1981 você entrou para o corpo de dança do Teatro Municipal do Rio de Janeiro já como primeira bailarina. Isso é comum? 

Ana Botafogo - De fato, não é muito comum, mas já conheciam meu trabalho e sabiam da minha trajetória, de todo o meu esforço e por isso me aprovaram. Minha estréia como primeira bailarina aconteceu no espetáculo Coppélia, o qual já refiz muitas outras vezes durante esses 20 anos de Municipal, incluindo apresentações internacionais. Nesses 20 anos, participei de todas as temporadas de "ballet" clássicas e de algumas de "ballet" contemporâneo. 

Empregos.com.br - Nunca pensou em fazer outra coisa que não fosse dançar? 

Ana Botafogo - Antes de ir para a Europa, comecei a cursar a Faculdade de Letras. Tranquei para viajar, tentei voltar ao curso algumas vezes, mas foi inviável. Ainda gostaria de terminar a faculdade, mas por enquanto está impossível, até porque a dança é minha prioridade. 

Empregos.com.br - É muito complicado conciliar a dança com outras atividades? 

Ana Botafogo - É sim. Além de viagens, a rotina é bastante puxada. Antes, entre aulas e ensaios, nossa carga horária era de 8 horas. Hoje, temos 6 horas de carga horária, sendo 1h30 de aula e durante o dia acontecem diversos ensaios. Nem sempre todos os bailarinos participam de todos os ensaios. Quando acontece de ter um horário livre, aproveito para tocar projetos pessoais. Tenho que ensaiar projetos completamente diferentes na mesma época, então qualquer tempo disponível se torna uma benção. 

Empregos.com.br - Como você avalia o mercado de trabalho para os bailarinos? 

Ana Botafogo - A vida de bailarino é bastante complicada, principalmente porque não há campo de trabalho suficiente para absorver a quantidade de profissionais competentes que temos no país. Imagine então os bailarinos em potencial! Hoje a situação é muito melhor do que há 20 anos - o próprio corpo de dança em que atuo aumentou o número de componentes de 15 para 115 bailarinos - mas ainda é difícil. Até hoje, existem apenas 6 companhias oficiais de "ballet" clássico. Várias companhias privadas de dança contemporânea foram fundadas, mas poucas são reconhecidas, como é o caso do tradicional Ballet Stagium, Grupo Corpo, Cisne Negro e da moderna Débora Kolcker. 

Empregos.com.br - O que é preciso para ser um bom bailarino? 

Ana Botafogo - Muito estudo, dedicação, disciplina, perseverança - porque em muitos momentos o trabalho é repetitivo - e ter muita determinação para vencer. Resumindo, muito suor, às vezes lágrimas e muito trabalho. Nem nas férias é possível parar. Eu diminuo a carga horária, mas é impossível parar. Por causa de tanta dificuldade, tem muita gente que entra, às vezes até mesmo para uma companhia oficial, e desiste. 

Empregos.com.br - E dá para viver da dança? 

Ana Botafogo - É muito duro, mas é possível. Embora poucas pessoas consigam viver dignamente da dança. Mas há outras possibilidades como dar aula de dança e coreografar espetáculos. Nesses casos, pode ser bem interessante cursar uma faculdade de dança, para adquirir embasamento teórico e boas noções sobre o corpo humano. 

Entrevista: Revista da Dança 

Tour: Qual foi o primeiro ballet de repertório que você dançou como bailarina principal? 

Ana Botafogo: O primeiro ballet que eu dancei foi Gisele, no ballet Guairá em Curitiba. Antes fiz parte de uma Companhia Contemporânea do Roland Petit, na Europa. 

Tour: Com qual personagem você mais se identifica? 

Ana Botafogo: Gosto muito de ballet com enredo, onde posso ir do início ao fim desenvolvendo uma personagem e que fico bastante tempo em cena. Cito entre os meus preferidos: O Lago dos Cisnes; Coppélia; Dom Quixote; a Tatiana de Onegin (que dancei pela primeira vez, e gostei muito de fazer); La Fille Mal Gardée. Porém, Gisele é o que eu mais gosto, por ter sido o primeiro ballet de repertório que dancei. Até hoje, acho Gisele um ballet maravilhoso de dançar, com dois atos distintos. O primeiro ato é com uma camponesa alegre e o segundo é ser etéreo. Por isso, é um ballet que fui ao longo de minha carreira encontrando diversas maneiras de interpretar e aprimorar tecnicamente. 

Tour: No início de sua carreira você se inspirou em alguma bailarina em especial? 

Ana Botafogo: No início gostava muito da Margot Fonteyn, da Maya Plissetskaya ela tinha o poder de contagiar tanto o público como o corpo de baile. 

Tour: Porque você preferiu seguir carreira no Brasil e não no exterior? 

Ana Botafogo: Comecei na Companhia do Roland Petit, na França. Porém, queria burilar minha técnica e trabalhar em uma Companhia de dança clássica.Quando voltei, fiquei no Guairá, porque o Theatro Municipal estava fechado. Tive vários convites para voltar para o exterior e tentar carreira lá fora. Depois que ingressei no Theatro Municipal conversei com muita gente, não só com diretores, mais também com bailarinos mais experientes. Aos poucos fui vendo a necessidade de dançar aqui na minha terra. Achava importante ter uma carreira aqui e um lar. Sempre conversei muito com a Márcia Haydée que tinha uma carreira fora do Brasil, mas tinha um lar no ballet de Stuttgart, onde ela fez a carreira e a vida dela. Eu já estava no Theatro Municipal há dois anos e é muito importante ter a estrutura de um Teatro e de uma Companhia. Se aceitasse os convites, ficaria sempre pingando de Companhia em Companhia na Europa. Estou feliz com a carreira consistente que fiz, são mais de vinte anos em que as pessoas vão se acostumando com sua carreira. Então é isso, acho que toda bailarina tem que ter uma pátria. 

Tour: Em algum momento você quis parar de dançar? 

Ana Botafogo: Nunca quis parar de dançar. Claro que há momentos com muitas dores, desilusões, contusões. Há pouco tempo cai sentada no chão em um ensaio, me machuquei e fiquei com dor. Mas a vida da bailarina é sofrida, mas sempre tem que ser superada. 



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